Foi sem perceber…  passava diante do espelho, quando por impulso, olhei e terminei por enxergar-me. 

A figura que nele refletia, de barba repleta de fios brancos, esquecida por alguns dias por fazer, levou me por inteiro, a figura do tal Papai Noel.  

Com desleixo e em tom de quem zomba de si próprio,  murmurei em voz baixa: há continuar assim, poderá o senhor ai, sair de bom velhinho no dia de natal.

É só trajar as vestes vermelha, gorro e adereços com pompom branco e pronto!   poderia arrancar bons sorrisos e  incontáveis abraços das  tantas crianças inocentes que encontrasse pelas ruas. 

O devaneio, em instante se desfez.  Entendi ser impossivel sair à presentear. De volta à realidade, percebi não ter poderes e muito menos poses para atender aos tantos pedidos que certamente me cercariam. 

E eu, certamente não suportaria que meus olhos fossem colocados a testemunhar os mais inocência olhares,  os tantos braços estendidos em buscas de respostas que afagassem suas necessidades. 

Estático, com meus pensamentos aos poucos se dispersando, voltei a realidade.

Com o olhar fixo no espelho… movimentos lentos, pude abrir o armário e tentando fugir, apanhei o barbeador e passei a tirar os pelos que cobria minha face… como se a cada passar de lamina, tivessem o poder de fazer me esquecer os sublimes  instantes  de imaginação junto dos mais belos sorrisos e os mais tenros abraços que já pude sentir…  sem nada poder fazer. 

Autoria: Osmar Sarabia Garcia

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