Dono de um semblante severo, tinha por hábito ficar por horas, sentado na cadeira que ladeava a mesa de cor escura, onde sobe um bloco de papel, fazia repousar os óculos de armação escura de aspecto pesado. A mão que sempre inquieta, fazia girar com toques lentos e coordenados pelas pontas dos dedos, a caneta de pena reluzente e de cor riscada em marrom e amarelo o que a nos fazia lembrar uma cobra. Salvo engano, ele usava um […]
De repente, alguém alardeou!   Mexeram  na porta. Sim, mexeram na porta! Alguém concordou. Quem poderia ser… de pronto tão logo tocou, o policial atendeu. A princípio nem mesmo ele teria acreditado, mais tamanha foram as insistências que terminaram por convencer: Olha… alguém mexeu na porta. Quem poderia ser? Enquanto as viaturas cortavam as ruas da cidade, aqueles que ao medo se entregaram, se punham a imaginar… talvez o vento que preocupado em esfriar a […]
Pouco me conforta ou importa poder tão-somente espiar pela janela. Julgo me enclausurado, dói ao perceber que ainda existir o lá fora… mais e daí! Há muito deixei de viver. Atônito, não consigo imaginar ou mesmo lembrar de gestos simples… como o de estender a mão, num corriqueiro cumprimentar. Há como era bom ver tão de perto os amigos; jogar conversa fora.  Amigos!… que amigos se nem mesmo meus irmãos podem ou consigo abraça-los. O mal […]
Tafuiado entre as pesadas vestes que o protegia, se via tão somente parte do rosto magro com traços de desconfiança que se protegia pela surrada touca de lã. Por vezes, sua mão com movimentos lerdos tentava em vão tirar o chumaço de cabelo que lhe caia por sobre olhos pondo se a atrapalhar a visão. Seu olhar, deixava transparecer sua total falta de confiança. Talvez por sua história, vivida pelos desprezos acontecidos pelas tantas pessoas […]
Foi sem perceber…  passava diante do espelho, quando por impulso, olhei e terminei por enxergar-me.  A figura que nele refletia, de barba repleta de fios brancos, esquecida por alguns dias por fazer, levou me por inteiro, a figura do tal Papai Noel.   Com desleixo e em tom de quem zomba de si próprio,  murmurei em voz baixa: há continuar assim, poderá o senhor ai, sair de bom velhinho no dia de natal. É só trajar as vestes […]