Dono de um semblante severo, tinha por hábito ficar por horas, sentado na cadeira que ladeava a mesa de cor escura, onde sobe um bloco de papel, fazia repousar os óculos de armação escura de aspecto pesado. A mão que sempre inquieta, fazia girar com toques lentos e coordenados pelas pontas dos dedos, a caneta de pena reluzente e de cor riscada em marrom e amarelo o que a nos fazia lembrar uma cobra. Salvo engano, ele usava um […]
De repente, alguém alardeou!   Mexeram  na porta. Sim, mexeram na porta! Alguém concordou. Quem poderia ser… de pronto tão logo tocou, o policial atendeu. A princípio nem mesmo ele teria acreditado, mais tamanha foram as insistências que terminaram por convencer: Olha… alguém mexeu na porta. Quem poderia ser? Enquanto as viaturas cortavam as ruas da cidade, aqueles que ao medo se entregaram, se punham a imaginar… talvez o vento que preocupado em esfriar a […]
Pouco me conforta ou importa poder tão-somente espiar pela janela. Julgo me enclausurado, dói ao perceber que ainda existir o lá fora… mais e daí! Há muito deixei de viver. Atônito, não consigo imaginar ou mesmo lembrar de gestos simples… como o de estender a mão, num corriqueiro cumprimentar. Há como era bom ver tão de perto os amigos; jogar conversa fora.  Amigos!… que amigos se nem mesmo meus irmãos podem ou consigo abraça-los. O mal […]
Gumercindo, rapaz trabalhador, com seu jeitinho pra lá de afoito, apanha o embornal e já do lado de fora da porta, apressadamente enquanto caminha vai falando para a esposa: Muiê, num vai da tempo nem do cê dar perto de umas quarenta piscada e eu já tô de vorta. Embora Mirtes, não acreditava muito lá nas pressas do marido, fora logo retrucando enquanto concordava sem dar lá muito ouvido. Não demorou para que Gumercindo tomasse […]